Mais
uma vez naquela noite ventava e a chuva por vezes ouvia-se bater
em rajadas no telhado que por vezes gemia, e uma pinga caia aqui
e ali.
Sempre
aquele meu irmão para me sossegar, me dizia, sabes qual
é a historia que te vou contar hoje para adormecer?
à
minha resposta do não, ele principiava.
Uma
vez no monte Das Astúrias, onde se refugiavam as mais nobres
famílias que formavam os cruzados que pelo mundo seguiam
combater os sarracenos, os Celtas e Vikings, numa das praças
duma aldeia montanhosa onde uma fonte chafariz era o centro do
recinto, um belo dia apareceu nesse lugar uma jovem carregando
diversas cestas de vime e um molho de vimes para descascar.
Na
borda do tanque do chafariz pousou todos os seus apetrechos, atirou
seu xale ao chão.. pegou nas castanholas e principiou os
primeiros toques de ensaio.
A
beleza daquela jovem mulher encantava, de olhos azuis cor do céu,
cabelos mais lustroso que o ouro, de rosto um tanto ao esguio,
de peitos bem torneados se adivinhavam no ondular da blusa.
Ancas
fortes e bem torneadas, e seu olhar era como duas estrelas reluzentes;
as castanholas a bater as pernas no rodopiar faziam erguer sua
saia rodada, por vezes mostrando um encanto de corpo de mulher
não imaginável .
Corpo
e espírito pareciam vindos do além, sua voz maravilhosa,
meiga e sedutora, principiou a elevar-se, a voz de magia e maravilhosa
apaixonava corações, incendiados pelo prazer do
amor por uma mulher, às castanholas marcavam todo o compasso,
os som saído de sua garganta, era como mil instrumentos
entrassem em harmonia nos ouvidos dos que acorreram às
janelas da praça .
ao
terminar palmarias surgiram das janelas da praça, e era
ver os mais jovens a se aproximar daquele ser encantador
..
ela apenas disse, pedia para me comprar indicando as lindas cestas
de vime.
Das
janelas algumas moedas caíram no xale estendido, bis e
sorrisos saíram das bocas das moças que já
agora queriam expor seus corpos debruçados sobre as sacadas,
mas os moços sentados no parapeito do chafariz junto às
cestas e feixe de vime, continuavam com olhos posto naquela deusa
da música e corpo celestial, pedindo-lhe para cantar, atirando
moedas e belhetinhos escritos para cima do xale.
Os
artigos foram vendidos outro oferecido às jovens das sacadas,
e depois de mais uma vez ter dançado, no meio da dança
agarrou seu xale com as moedas e bilhetes, desaparecendo a correr
no fundo da calçada, mas era tão veloz que nenhum
dos moços se atreveu a segui-la.
Todos
seguiram para casa enaltecendo a beleza daquela que por momentos
foi um sonho que desapareceu do olhar, apenas o filho do Conde
de Castenate de nome Gindiro seguia cabisbaixo, talvez que sonhasse
em possuir aquela formosura, e vai de perguntar a um de seus criados,
que o considerava como irmão e amigo.
Aproximou-se
e perguntou... Juvelin: conheces tua aquela beleza, e a que família
Pertence?
Não mas já ouvi falar que avia uma
moça que corria nua pelos campos que se banhava nas quedas
das lagoas, que era destra como o melhor caçador, que gostava
de fazer paixão aquele que se apaixonasse, que nunca ninguém
se aproximou mas que á distancia tinha prazer de mostrar
a beleza incomparável de suas formas
de seus peitos,
de suas ancas, da perfeição de suas pernas, da beleza
de seus olhos e da cor de seus cabelos; dizem que era duma tribo
Viquingue que a abandonou por esquecimento, quando partiram com
seus barcos depois de encherem de escravas da religião Islâmicas.
e
desde esse dia ela apare-se de manhã na grande queda da
lagoa, mas se alguém a estiver a admirando terá
de se haver com o Veado Bali, esse animal veloz como o vento,
parece destinado a aguardar, essa beldade de mulher; quando investe
seja contra quem for, dá mostras de sua gelosia e de seu
furor.
Creio
que ela já fez saber que se casaria com o homem que fosse
capaz de caçar o veado Bali, pois só deixará
perder sua virgindade deitada na pele do caloso animal que a guarda
Das
vistas dos homens que ela mais queria amar, e fazer com que a
desejasse loucamente. Naquela noite, Gindiro
ficou de velas no penhasco da lagoa, queria ver donde surgia o
grande Veado bali, então de manhã quando Gindiro
ia espreitar se aquela beleza de mulher já se encontrava
tomando o chuveiro das quedas.
Ela
lá estava bela como uma deusa, mas o som duma correria
fez tornar muito rápido Gindiro, que apenas teve tempo
se saltar e cair no dorso daquele grande exemplar Veado
Bali,
agarrando-se ás duas hastes , procurando-o quebrar o pescoço,
este que não abrandou sua corrida um nadinha, e do alto
do penhasco mergulhou nas águas profundas da lagoa, arrastando
consigo o amoroso Gindiro.
A
deusa do amor, ali ficou estática a ver se via surgir das
águas aquele que procurava satisfazer seu capricho, vencer
o Veado Bali para ela se deitar na sua pele entregando ao amor
sua virgindade;
Então
ela passava dias e noites à volta da lagoa, esperando um
dia ver surgir o seu amado.
Uma
noite de luar, aquela beleza Viquingue pareceu-lhe ver refletidas
nas água da lagoa seu amado, sem hesitação
lançou-se do alto do penhasco nas águas profundas
da lagoa.
Á
quem diga nas noites de lua cheia se podem ver aqueles dois amorosos
banhando-se nas quedas duma lagoa Asturiana, dizem que fica perto
do caminho feito de grandes pedras que vai a S. Tiago de Compostela.
Por:
Armando C. Sousa
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