Ao chegares vento, leva contigo meus
sonhos mortos
Leva para longe meus receios, meus medos
Leva todos os pensamentos tortos
Deixa bem escondidos meus segredos
Vento, limpa, leva contigo minhas dores
Arranca de mim, minhas penas, meus sofreres
Não barras, deixa comigo meus
amores
Nossos beijos nossos abraços
nossos prazeres
Vento leva para bem longe a covardia
Leva a tristeza dos rostos, deixa pão
na mesa
Deixa minha pena para escrever poesia
Deixa o riso, maior amigo da pobreza
Deixa os volvos, na primavera darão
alegria
Tronco de raízes profundas deixa-o
ficar
Fique o colorido das borboletas e seu
sustento
Leva contigo as nuvens, deixa comigo
a luz do luar
Retira do azul do céu todo o
cinzento
Vento, leva contigo a tirania a mentira
e egoísmo
Deixa nos jardins, doçura do
verde e perfume de flores
Não arrases como um cataclismo
Deixa para nós a beleza do arco
Íris e suas cores
Vento ciclónico. Arrasa as guerras
e maldade
Deixa entre nós a paz e liberdade.
Por:
Armando C. Sousa
Canadá
- 08/11/05