Um pouco de
barro, uma imagem de menino
Uma flauta música sem igual
Um esperto vestido de anjo, pede outro
hino
A neve a cair anuncia o natal
Entra na mente a imaginação
Principia entre família um
ritual
Procura-se fingir muita animação
Nascendo o milagre habitual
Tantos brinquedos, e tantos pobres
sem pão.
Nos armazéns,
se houve excelsos hinos, e luzes de
cor
Falta confiança e Fé
no divino
Tanto ouro, incenso, e mirra; tanta
falta de amor
No ventre um indesejável mas
verdadeiro menino
A neve cai o vento sopra ar quizilento
Redemoinho, o egoísmo, e canhões
de guerra
Na rua do presépio nem boi
ou jumento, e o que cismo
Na África, gente sem pão
maldita terra
Ali, e Ásia, gritos de cataclismo.
Já não
existe lareira. Gente à volta
e lume a crepitar
Tantos sem teto, recebem dos esgotos
o calor
O frio do natal não lhes trás
harmonia
Vivem tantos debaixo de pontes sem
amor
Ao ver isto, escrevo esta poesia
Meu coração dilacerado
de dor
Em criança chegava os paus
ao brasume
Á roda da fogueira, cantado
ao senhor
Natal tradição linda,
tanto amor cantando ao lume.