Um pouco de barro, uma imagem de menino
Uma flauta música sem igual
Um esperto vestido de anjo, pede outro hino
A neve a cair anuncia o natal
Entra na mente a imaginação
Principia entre família um ritual
Procura-se fingir muita animação
Nascendo o milagre habitual
Tantos brinquedos, e tantos pobres sem pão.

Nos armazéns, se houve excelsos hinos, e luzes de cor
Falta confiança e Fé no divino
Tanto ouro, incenso, e mirra; tanta falta de amor
No ventre um indesejável mas verdadeiro menino
A neve cai o vento sopra ar quizilento
Redemoinho, o egoísmo, e canhões de guerra
Na rua do presépio nem boi ou jumento, e o que cismo
Na África, gente sem pão maldita terra
Ali, e Ásia, gritos de cataclismo.

Já não existe lareira. Gente à volta e lume a crepitar
Tantos sem teto, recebem dos esgotos o calor
O frio do natal não lhes trás harmonia
Vivem tantos debaixo de pontes sem amor
Ao ver isto, escrevo esta poesia
Meu coração dilacerado de dor
Em criança chegava os paus ao brasume
Á roda da fogueira, cantado ao senhor
Natal tradição linda, tanto amor cantando ao lume.


Por: Armando C. Sousa

Canadá - 05/12/2005