Tenho
ultrapassado fronteiras desertas sem correntes
Quando chego não há relógios
que tenha horas certas
Ah!... Não compreendo as línguas
que falam essas gentes
Vejo apenas seus ideais, ideias de ajuda
mais abertas.
As
palavras que ouço não compreendo
com certeza
Nem o poeta que chega será capaz
de as decifrar bem
O consolo verdadeiro está no sorrir
e no pão na mesa
Os contornos dos caminhos, esses nem mapas
tem.
Geografia
onde chego não conheço, falta-me
o senso
Nem no tempo passado posso encontrar meu
caminho
Nuvens quantas vezes me dão ralhões,
ao que penso
Não conheço geografia, ando
aos trambolhões sozinho.
Fico
cego no carreiro, e com os relâmpagos
aturdido
Estremeço com o estalar de trovões,
grande pesadelo
Assim ando na vida sem conhecer, caminho
perdido
Sol, luar, me dão um pouco de ajuda
e o grande estrelo.
Sinto
o azul do espaço, nele o voo do silêncio
pairando
Certo, onde ando vejo montanhas sol mar
estrelas e luar
Pelo momento tenho dois braços de
amor me abraçando
Perdido caminho, mas encontro dois lábios
para beijar.