Poetas, não me peçam para descrever meu caminho
Ainda não acertei compasso, que estrela me guiará?
Tenho andado aos encontrões, derivando sem carinho
Sem tempo certo, sezões que a mãe natureza nos dá.

Tenho ultrapassado fronteiras desertas sem correntes
Quando chego não há relógios que tenha horas certas
Ah!... Não compreendo as línguas que falam essas gentes
Vejo apenas seus ideais, ideias de ajuda mais abertas.

As palavras que ouço não compreendo com certeza
Nem o poeta que chega será capaz de as decifrar bem
O consolo verdadeiro está no sorrir e no pão na mesa
Os contornos dos caminhos, esses nem mapas tem.

Geografia onde chego não conheço, falta-me o senso
Nem no tempo passado posso encontrar meu caminho
Nuvens quantas vezes me dão ralhões, ao que penso
Não conheço geografia, ando aos trambolhões sozinho.

Fico cego no carreiro, e com os relâmpagos aturdido
Estremeço com o estalar de trovões, grande pesadelo
Assim ando na vida sem conhecer, caminho perdido
Sol, luar, me dão um pouco de ajuda e o grande estrelo.

Sinto o azul do espaço, nele o voo do silêncio pairando
Certo, onde ando vejo montanhas sol mar estrelas e luar
Pelo momento tenho dois braços de amor me abraçando
Perdido caminho, mas encontro dois lábios para beijar.


Por: Armando C. Sousa

Canadá-16/11/ 2005