De madrugada acordei, crescia em mim desejos e a solidão
Ainda na escuridão o desejo, cada vez maior
Encontrava-me na cama fria sozinho
Meu bem de joelho partido, rachava meu coração
No meu peito sentia mais forte o amor
Solidão crescia, nem um abraço, nem um beijinho
As saudades, ânsias, tanta paixão
Ouvia gemidos dela, maior minha dor
Amarrotava os cobertores do meu ninho
Levantava-me e ia o amor sossegar no cadeirão
Madrugada ainda, ia pegar do jardim uma flor
Essa rosa a chegava ao nariz dela de mansinho
Ouvia, o teu amor, o teu carinho, é para mim uma benção
Oferecia-lhe meu braço para a ajudar a levar á cama
Ali a deixava mais uma vez sozinha, via no olhar seu sofrer
Depois de a medicar e a cobrir. Ho sorte insana
Me deitava no cadeirão, para meu adormecer
Meu amor de 46 anos, e sua dor, espalhada em toda a cama
Quero as minhas madrugadas sentir calor de minha amada
Quero matar e enterrar o sofrimento
Quero acordar com os desejos cada dia da semana
Satisfazendo-os com ela acordado
Realizar o juramento no altar, cumprir nosso cometimento
Assim nossa vida voltara a ser magnana
Realizar verdadeiramente o que à meses tenho sonhado.


Por: Armando C. Sousa
Canadá - 18/11/05