Gritos perdidos; gritos caídos no espaço
Deste-me á luz, pousaste-me no regaço
Chorava Mãe; embalavas-me, davas-me mama
Fechava os olhos; ponhas-me na cama
Será que Deus escuta nossos gritos
De tantas sem pão de fome aflitos
Não sei se são cristãos humanos
são
Filho do mesmo deus mas sem pão.
Sei sim o que é ter fome; ser escravo
Sei sim o que é querer e não poder
Sei sim que faz muita falta saber
Sei que é difícil sem meios aprender.
Será que deus escuta os gritos de ignorantes
Porquê! Não lhes dá meios de aprender
Quando muitas vezes de saber são amantes
Ouve os gritos; ignorantes os deixa morrer.
Será deus, aquele que está na igreja pintado?
Será aquele que me meteram no pensamento?
Será o que é pelos cristãos para
o monte levado
Vestido de ouro pintado em passos de sofrimento!
Deus natureza, quatro estações sempre
criadoras
Mãe; senhora da terra universal sol água
e ar
Entranhas do universo, lá irão nossas
penhoras
Terra criadora de todo o pão e frutos de regalar.
Os homens maltratam-te, devassando tua pureza
Sei mãe natureza nós humanos, castigo
vamos ter
Só rectidão nos salvara... não
mãos ao ar ou reza
Tremores, ciclones, gritos de dor da mãe natureza.