Beijo
à minha idade depende das marés
Depois do banho, na cama, a descobrir
devagarinho
A língua a lamber o dedinho
dos pés
Olhar, sempre a lamber
Ver levantar o pelinho e os bicos
a crescer
Ter a sensação que ainda
ama
O mesmo prazer do primeiro beijo na
cama
Agora serão os joelho que vou
beijar e lamber
Estes a tremer
Com a sensação que em
si vai explodir um vulcão
Que está a ferver
Na encruzilhada do desejo
Chegou minha língua e o verdadeiro
beijo
No umbigo beijo o cálix da
doçura
Mais acima tenho de beijar os figos,
fruta madura
Mas que ainda se faz arrebitar
Os olhos de prazer revirar
Sua boca me querer comer, dizendo
entra
Dá-me já todo o prazer
E a sim o verdadeiro beijo à
minha idade
De do beijar ainda temos vaidade.