Do rio via a montanha, cobertinha de parreira
Tanta uva madurinha as moças na brincadeira

Em cada cacho beijinhos cada cara um sorriso
Podiam estar no inferno, pensavam ser paraíso

Na cepa ficava o sonho, primavera vai nascer
O néctar será sonho, para quem poder beber

Na natureza a doçura, os cantos no vindimar
A língua dá estalidos e pode-nos fazer cantar

Amo ver as raparigas sem saia e perna pintada
Braços e passos certinhos e manga arregaçada

A deitar suas cantigas ou então canto em coro
Olhando, vagos dos moços, talvez para namoro

Até o padre na missa, vinho da cepa vai beber
Vai dizer sangue da vida, e o pão para comer

Este da cepa saiu, vinho de uvas madurinhas
Sem cuidado a beber terá de andar de gatinhas

Ho, cachos madurinhos, que beleza esta vinha
Cortados por as raparigas tanta una madurinha

Goste as ouvir cantar, um malhão à desgarrada
Tua cara coradinha das uvas esta bem pintada.


Por: Armando C. Sousa