A risada matreira duma rapariga quase mocinha
Foi de si própria o riso o que ela deu indicação
Coisa de seu pensar... riu e indicou onde o tinha
Foi malicioso o seu soprar que eu agarrei a mão.

Não me pergunte quem, a mocinha do carreiro
Moças andam aos bandos, nas estradas e romarias
Vestidas de quase nada, riso louco, olhar matreiro
Olhava com apetite de as comer, musas de poesias.

Ruído do riso, olhar chamejante como lampiões
Trejeito do gesto, mostrando onde a coisa estava
Fez andar desejos e pensamentos aos trambolhões
Mais idade: machucávamos erva beira da estrada

Não mais esqueci o motivo do olhar travesso e riso
De sua idade, da malícia, do rir, talvez comichão
Medo, e o respeito, não me deixaram entrar no paraíso
Resolvi acabar com meus desejos todos com a mão.

Gostava de ter olhos dos dois lados de minha cabeça
Queria ver os risos, trejeitos, as mocinhas possam dar
Ver calor da alegria que todo o medo e desejo derreta
Continuar a vida, e seu caminho, a dançar e a cantar.


Por: Armando C. Sousa

Canadá - 24/11/ 2005