A
risada matreira duma rapariga quase
mocinha
Foi de si própria o riso o
que ela deu indicação
Coisa de seu pensar... riu e indicou
onde o tinha
Foi malicioso o seu soprar que eu
agarrei a mão.
Não
me pergunte quem, a mocinha do carreiro
Moças andam aos bandos, nas
estradas e romarias
Vestidas de quase nada, riso louco,
olhar matreiro
Olhava com apetite de as comer, musas
de poesias.
Ruído
do riso, olhar chamejante como lampiões
Trejeito do gesto, mostrando onde
a coisa estava
Fez andar desejos e pensamentos aos
trambolhões
Mais idade: machucávamos erva
beira da estrada
Não
mais esqueci o motivo do olhar travesso
e riso
De sua idade, da malícia, do
rir, talvez comichão
Medo, e o respeito, não me
deixaram entrar no paraíso
Resolvi acabar com meus desejos todos
com a mão.
Gostava
de ter olhos dos dois lados de minha
cabeça
Queria ver os risos, trejeitos, as
mocinhas possam dar
Ver calor da alegria que todo o medo
e desejo derreta
Continuar a vida, e seu caminho, a
dançar e a cantar.