Na escada sentado, em trapos enrolado, estendia a mão
Dá-me qualquer coisinha amigo, para eu comprar pão
A sorte roubou-me todo o prazer da vida, toda a alegria
De tanto ter trabalhado, do nascer do sol, ao por do dia.

Hoje não posso mais trabalhar, servir, ser escravo
Esqueceram-me, assim vivo nesta escada rejeitado
Nunca me pagaram por meu trabalho que sobejasse
Dia a dia meu pão, nem para que uma família criasse.

A lua e o céu, é o teto maior que posso chamar meu
Foi tudo que a vida de trabalho e de escravo me deu
Para quem eu trabalhava, enriquecia dia após dia
Dava meu sangue, e em troca pouco ou nada trazia.

Sou pobre doente, estendo a mão á tua compaixão
Não é com mentira que procuro comover teu coração
Estou resignado á extrema vontade de teu Deus
Para me cobrir o que me dás, nuvens, trapos, céus.

Como todos, fui escravo da vida pelo homem desenhada
Apenas tive um patrão, que meu sangue e suor roubara
Não me podia queixar, porque sua língua não falava
Meus queixumes de injustiça e escravidão, ele rejeitava.

Não tive alguém que meu sofrer escuta-se algum dia
Que me guiasse ensinando-me no que eu não sabia
Dando-me uma vida normal, prazer e viver de alegria
Tudo isto porque minha sorte ou meu fado o não queria.

Não lutes contra o teu fado será teu destino ou sorte
Deixa que ele te guie através da vida até á morte
Por mais fraco que seja, só tens é este, o destino teu
Resignado aceita até ao ultimo momento, que vida deu.


Por: Armando C. Sousa

Toronto 28/08/1998