Há memória selvagem que me dizes verdade
Ainda vez blusas de chita com uns botõesinhos
Meus olhos inquietos de os ver tem saudades
De os sentir crescer e lhe dispensar carinhos.

No sonho seguia com ela no barco a remar
Já o sono era leve quase vinha a madrugada
Afastava ondas brancas sonhava a balouçar
Sentia seda macia minhas mãos a amarrotar.

Há sol que me vinha acordar desse prazer
Trazia-me a vida verdadeira ao meu consolo
Vivos, abraços, beijando fazíamos o dever
Aos gritos não sentia peso com ela ao colo.

Memórias que chegam, nossos órgãos agita
Saia a godé, que bem ficava ao cair da anca
Pobreza, simplicidade, amor e blusa de chita
Voltar a tempos de simplicidade à esperança.

Há memória, que ainda vez chinelos a bater
Vez as lavadeiras no rio e sua roupa a corar
Ver-te esfregar na pedras me davas prazer
Dentro da blusa de chita mel da vida abanar.

Rapazes raparigas jogando ao eixo ou á corda
Há memória que me fazes doer dessa gloria
Aquelas brincadeiras nossas perto das bordas
Amaria voltar, a tempos da selvagem memória.


Por: Armando C. Sousa

Toronto 02/09/05