Nos campos com flores, desfrutava as alegrias virgens
O riacho corria límpido cantarolando nas pedrinhas
Me balouçava ou rodava até ter vertigens
Prazer de viver estas brincadeiras tão sozinhas
Calor, tomava banho mesmo a lado do caneiro
Meu fato, era o que tinha ao nascer
Depois seguia o rio, mesmo ao lado no carreiro
Chegava ao moinho e parava para o ver moer
Certas vezes pegava numa espiga
Trincava seus graeiros ainda em leite
Matando a fome minha inimiga
Deitava-me no paul para meu deleite
Ao voltar ainda subia a uma figueira
Pegava dum pomar uma pêra ou maçã
Se neste acaso fosse a fruta madurinha
Barriga cheia era mesmo um maná
Das flores das beira dos caminhos
Fazia um raminho para levar a minha mãe
Procurava em vez de ensino seus carinhos
Quantas vezes me dava um e outro também
Castigo, três regadores de água em leiras de cebolas
Nas couves a nascer me mandava a minha mãe
Não ouvir mais dessas tuas ideias parolas
Quero-te junto a mim todo o tempo que te vem
No meu brincar eu procurava virgindade
Com a arca na corrida sem parar
Era mesmo amante do prazer e liberdade
Hoje só quero que o tempo ande devagar.


Por: Armando C. Sousa