Como sou e vivo na tona do tempo
Na suavidade da paciência, eufórico de momento
Dói-me um joelho o sofrimento parece eterno
Reumatismo de verão, pior vindo o inverno
O tempo e bicho instintivo, adivinha a chegada da dor
O corpo recusa compreender esta beleza
As meiguices da dor são carinhos de seu amor
Não vencemos os anos, é sentença da natureza
gosto de andar, sou obrigado a movimentos lentos
A dor me faz coxear devagarinho
A idade esta a contar, são os sinais dos tempos
Quase que não posso sair das escadas de meu ninho
Hoje vou ver o doutor, ouvir sua sentença
Talvez me dirá como sou é minha doença
Levar talvez dinheiro à farmácia, é o ritual
E viver na esperança desta luta, remédio vence o mal
Verdade, quero viver mais uns dias
Uma caneta cheia de tinta
Continuando a escrever minhas poesias
Deixar minha mente pintar o papel
Sentir da boca da mulher que amo todo seu fel
Por ser quem sou, sem poder cavalgar
E não sentir o sabor do amar.


Por: Armando C. Sousa