Nas teias do meu tear teci todo meu destino

Deixei a trama escrever, fui homem sem ser menino

Apanhei a lançadeira, me veio ferir a mão

No debuxo dessa teia emalhei meu coração

Ou tramar a minha teia pode desenhar amores

Na roda desse debuxo nasceram lindas flores

Na teia que eu teci não era de aranhas ou aranhões

Mas tinha fios macios que alisava corações

Baloucei o meu tear, abrindo malha à vida

Arrancando-lhe o tesouro que a teia tinha escondida

Teia quase tramada com flores e com espinhos

No debuxo corações que nos cobre de carinhos

Meu tear está parado nada mais poço tecer

Nunca me trouxe enganado, teceu sempre com prazer

Uma artista pequenina afinou o meu tear

Deu-me alegria divina com o seu lindo tramar

Debuxou em meu coração um mar largo de alegria

Descrevendo em imagem toda minha poesia

É de anjo sua trama, Ho quem ma dera abraçar

Tem tecido alegria na teia do meu tear.


Por: Armando C. Sousa