Ao ver o luar chegar; com sua cara tristonha
Perguntei-lhe sem hesitar, quase mesmo sem vergonha
Diz-me o que te fás tão triste; o que causa as tuas dores
Os terremotos persistem; martirizando os Açores.

Meus irmãos Açorianos; recebei o meu carinho
Compreendo a vossa dor, apesar de ser do Minho
Se vós de mim precisares, fazerei o que puder
Sois feitos da mesma semente, só farei o meu dever.

Não dizeis que sois diferentes, vos considero igual
Nascidos da mesma semente, criada em Portugal
Povo de raça e valor; Fenícios, Romanos, ou Ibérios
Mostramos na alma a dor; feitos de corações sinceros.

Temos paixão e beleza Fenícia; Inteligência Lusitana
Possuímos fatalidade Mourisca, olhos meigos de cigana
Mas no nosso sangue Ibério; existe a mesma vontade
Ir até ao fim do mundo, p`ra viver em liberdade.

Oh Ilhas, que sois tão lindas, Gotas de orvalho no Mar
Sois lírios, ou rosas da água, p`ra tanta beleza nos dar
Segue assim teu coração, pensando em teu cantinho
Somos todos Portugueses apesar de eu ser do Minho.

Oh Sol, que és tão lindo; empresta cor as maravilhas
Dás amor e dás calor ao Continente e as Ilhas
Aquece o meu coração, pois é grande o meu sofrer
Ao ver chorar meus irmãos. por ter a terra a tremer.

Eu sofro quando sofreis; ou perdemos um irmão
Apenas deito a culpa, terra feita de um vulcão
Mesmo assim sois tão lindas; Gotas de maravilhas
Encheis o meu coração, com amor por vós, oh Ilhas!


Por: Armando C. Sousa