Brincando no laranjal
Caçando as abelhinhas que zumbiam aos ouvidos
Metendo-as em buracos de terra
Cobertas com bocados de vidros
Tu eras criança eu era menino
Éramos grandes amigos, tu lembraste Alcino:

Íamos para bouça de Ores
Com as azenhas feitas de pau de loureiro
As penas eram bugalhos
Fazendo-as rodar no regueiro
Carros feitos de arames
Rodas de casca de pinheiro
Contando as horas pelo badalar do sino
Alegria de brincar...tu lembras-te Alcino?

Fazia-mos repuxos de sabugueiro
Caniçadas procurando o melro matreiro
Ia-mos para escola de arca na mão
Jogando bugalhinhas ou então o botão
Contava-mos historias ou jogando o pião
A vida era assim, nos separa o destino
Éramos inseparáveis tu lembras-te Alcino?

Encima da figueira apregoando a lotaria
Passava-mos horas de pura alegria
Tu cantavas os números, eu o dinheiro
Fazia-mos laçadas ao burro do moleiro
Ouvia-mos dizer, grande malandram
Puxava-mos a corda, zás, o burro no chão

Pensando em ti revejo o passado
Desses tempos eu tenho saudades
De arca ou o pião, azenhas e bugalhos
Nos separa-mos procurando trabalhos
Amava voltar ao tempo de menino
Apregoando a lotaria na figueira, contigo Alcino

Se aqui na terra não te voltar a ver
Que a mente nos junte depois de morrer
Nos microorganismos da terra que a nos reserva
Ou voando em pó nestes ares do céu
Tornado verdade este sonho meu
Com arca e piões voltar a menino
Brincar para sempre contigo Alcino.

Por: Armando C. Sousa