
Vento
vem
e
leva
o
som
de
meu
silencio
Vento
vem
e
leva
as
palavras
de
meu
pensar
Vento,
traz
o
cheiro
de
meu
hortênsio
Anda,
leva
os
ruídos
de
raiva
de
meu
chorar
Vento,
leva
a
neve
e
frio
da
minha
vida
Vem,
leva
o
cru
silencio
de
morte
Vem,
traz
à
natureza
mil
e
uma
cores
garrida
Sopra
do
sul
para
o
lado
do
norte
Vento
vem,
levas
as
desilusões
que
causam
dor
Vento,
traz
contigo
prazer
e
contentamento
Enfeita-te
com
doces
beijos
de
amor
Traz
contigo
a
doçura
porque
lamento
Vento
vem
e
traz
contigo
o
perfume
da
rosa
Empurra
para
mim
um
areinho
de
alegria
Traz
em
ti
a
primavera
mais
formosa
Deixa
a
musa
de
minha
poesia
Anda,
leva
meu
pensamento
a
meu
torrão
Volteia
comigo
nos
altos
daqueles
montes
Dá-me
de
à
50
anos
a
mesma
emoção
A
mesma
limpidez
da
água
de
tuas
fontes
Deixa-me
ouvir
ainda
o
cantar
das
raparigas
Tardes
de
vindimas
e
noites
de
desfolhada
Dá-me
o
prazer
de
velas
apalpar
espigas
Olhos
luzidios
suspiros
de
desconsoladas.
Por:
Armando
C.
Sousa