Sou alguém vindo dum povo de alegria
Meus antepassados viveram do além do mar
Recendi da língua do fado que cantam na mouraria
Ali o som do fado é de coração triste, quase a chorar...
Saí talvez do murmúrio duma guitarra que trinava
As palavras desaparecem nas ondas do mar
Os choros silvam nas montanhas pinhadas
Se ouvem lamentos na voz do cantar...
Cresci descalço de arca na mão
Mesmo com pouca escola cumpri meu dever
Jogava com colegas com pião e botão
Contávamos historia para o bem aprender...
Meus versos são vós da criança de meu tempo
Queríamos vencer a miséria em nós enlaçada
Escassez de pão foi o maior lamento
O frio que nos poucos trapos furava...
Hoje não me envergonho de contar verdades
Me orgulho, sou alguém por ter vencido
Posso me rir de minhas loucas leviandades
Mas nunca do bem e da verdade ter eu saído
Sou alguém que de minha mente brota poesia
Sou a historia dum passado verdadeiro
Sou dos meus sonhos personagens a alegria
Parti nunca mais vivi em cativeiro
A respeitar o bem, sou alguém.


Por: Armando C. Sousa