Sou
alguém
vindo
dum
povo
de alegria
Meus
antepassados
viveram
do além
do mar
Recendi
da língua
do fado
que
cantam
na mouraria
Ali
o som
do fado
é
de coração
triste,
quase
a chorar...
Saí
talvez
do murmúrio
duma
guitarra
que
trinava
As palavras
desaparecem
nas
ondas
do mar
Os choros
silvam
nas
montanhas
pinhadas
Se ouvem
lamentos
na voz
do cantar...
Cresci
descalço
de arca
na mão
Mesmo
com
pouca
escola
cumpri
meu
dever
Jogava
com
colegas
com
pião
e botão
Contávamos
historia
para
o bem
aprender...
Meus
versos
são
vós
da criança
de meu
tempo
Queríamos
vencer
a miséria
em nós
enlaçada
Escassez
de pão
foi
o maior
lamento
O frio
que
nos
poucos
trapos
furava...
Hoje
não
me envergonho
de contar
verdades
Me orgulho,
sou
alguém
por
ter
vencido
Posso
me rir
de minhas
loucas
leviandades
Mas
nunca
do bem
e da
verdade
ter
eu saído
Sou
alguém
que
de minha
mente
brota
poesia
Sou
a historia
dum
passado
verdadeiro
Sou
dos
meus
sonhos
personagens
a alegria
Parti
nunca
mais
vivi
em cativeiro
A respeitar
o bem,
sou
alguém.