Amor
espera, não entro para
não acordar as pernas de
meu cansaço, cansado de
subir o pico onde mora a fé.
Estou esperando, sinto meu ser
desprender-se da hipocrisia que
rodeia e governa a lei.
Oh vida, como amo ver o céu
bem azulinho límpido, ou
mesmo com uns farrapinhos de nuvens
branquinhas sem fumo, para lá
bem longe poder ver erguidos como
monumentos os altos penedos das
montanhas onde se procura esconder
o barulho do som.
Oh, recebo como meu castigo o
eco de meus suspiros, aí
descubro que o meu maior cansaço,
são as ânsias de
querer vencer a fatiga da procura
da fé que não encontro
sem a hipocrisia que se reveste.
Os nevoeiros que invadem a beleza
e o esplendor da serra, vem cobrir
minha mente para nela não
entrarem as lendas que embelezam
os palácios construídos
à base dessa fé
que não encontro.
Assim embrulhado nesses nevoeiros
que não deixam entrar o
barulho do som que vem contaminando
toda a humanidade, consigo adormecer
pela calada da manhã.
Os olhos estão fechando
de mais um; isto indica que todas
as orações do mundo,
todo o ouro e diamantes, ou mesmo
todas as mentiras não foram
capazes de ofuscar a verdade da
vida, e a lei que governa as águas,
o salgar da espuma, as curvas
mansas ou bravias das ondas, os
habitantes dessas águas
profundas, os verdes de mil verdes,
as montanhas de neve, relâmpagos
e estrondos, e bem no alto onde
a grandeza da lei nos permite
ver esses grande diamantes de
luz, e sei lá que mais.
Para meus ouvidos o mundo humano
calou-se com esse som que clama
fé, apenas ouço
o gemido das lagrimas que habitam
a verdade; mesmo as folhas pedirão
aos ventos para as não
fazer assobiar, elas não
querem causar medos criados com
essas lendas onde habita essa
fé que não encontro
a verdade que justifique o som
que querem que eu ouça.
Até as quedas das águas
se estão a silenciar envergonhadas
com tanta impuridade; as gentes
que clamam essa fé movida
pêlos interesses pessoais,
esquecem que estamos a desbaratar
os bens de nossos netos, sem lhe
ensinarmos um rumo certo e verdadeiro;
estas lendas interesseiras lhes
escurecem a mente, essa tal fé
não quer que a ciência
avance para nos mostrar o que
existe para alem do impossível.
O som da criança em mim
me tem encaminhado para a duvida,
e esta me encaminhará para
a senda do saber.
O silêncio onde apenas o
meu arfar dormido parece gemer,
o cansaço de minhas pernas
está desaparecendo; estou
quase a acordar para subir a montanha
da vida, onde o apagar da luz
me dará outra vez ao seio
da mãe Natureza.
Por:
Armando C. Sousa