
Junto da estrada abria uma rosa, e linda margarida
A baixo uma horta cavada, pé de couve seca caída
Faltava a água para a manter verdinha e com vida
Perto um corpo de mulher nu, vida louca perdida.
Desabrocha a rosa
nas ervas daninhas do caminho
Mastigando o pó molhado pelo orvalho, estava luar
Cheiro que soltava do corpo nu vale-lhe um carinho
Mãos mordendo a erva, retribui com seu balouçar.
O prazer mendiga
uns beijos ao cavaleiro que passa
Uma lagrima corre brilhando, raro diamante ao luar
Folha de figueira retirada, fica corpo com mais graça
Desejos da carne, beijos ardentes, rolar e abraçar.
A lua chora ao ver
carinho e amor, tão bela donzela
O gelo derreteria ao ver a nudez de tão rara beleza
O mar se condensaria ao ver-se cavalgado por ela
O vento cessaria para tocar e a abraçar com leveza.
O silencio acalmaria
o couraçado de ferro brilhante
O cavaleiro desmontaria, tiraria chapéu e sua espada
Ajoelharia junto à nudez pedindo para ser seu amante
Faria da beleza sua rainha, da mulher nua sua amada
Tudo principiou com uma rosa a abrir junto à estrada.
Por: Armando C. Sousa
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