Amor, quando eras minha verdadeira musa
Andamos no cantinho, abraçados a nadar
Lembras da onda te dar pudor, levar a blusa
Ficastes de bicos cobertos de espuma do mar.
Eras linda,
assim vestindo o nada, este te cobria
As algas se juntaram ficando para ti blusa a tecer
Tu balbuciavas, rosto corado a mais bela poesia
Corpo nu ao vento recebendo beijos de prazer.
Nesse tempo
querida, tu eras musa verdadeira
Tudo vai amor, apenas me deixas-te saudade
Hoje ninfa casada banhas vestida na cachoeira
Não és a mesma, perdeste a alegria e liberdade.
Recomeçaria
se ainda tivesses mesmo encanto
Cheiro de poesia escrevendo duetos de paixão
Tens os olhos lacrimosos tua dor o teu pranto
Deixas dilacerado o meu pensar, meu coração.
Queria ver-te
viver e mostrares ainda tua alegria
Dares o amor ao sonho seres musa e escrever
Olhos brilhastes, teus sorrisos de amor cada dia
Acariciar ainda a beleza, sentir tremer teu prazer.
Amor leva-me
contigo, vamos nas ondas balouçar
Ainda apertar teu corpo beijar teu umbigo macio
Não precisamos, de ir abraçar-nos para alto mar
Só mergulhamos na espuma da cachoeira do rio.
Na erva verdinha
nós amor, ouvindo a água cantar
Podemos abraçar-nos dormindo ao longo do dia
Dar risos loucos beijos de prazer, no nosso sonhar
Alegres acordando para escrever beleza de poesia.

Por:
Armando C. Sousa
Tempos de outrora fui musa, fui rainha
Tive ao meu lado o Poeta dos apaixonados
Na branca areia passeamos agarradinhos
Fomos felizes qual um casal de enamorados.
Não
me importava com as vestes que usava
Bastava-me o vento que a minha pele cobria
Com a espuma que em renda transformada
E as lindas algas que meus zelos escondia.
Em altas
ondas mergulhamos sem temor
Sem perceber onde o perigo se escondia
Eu era a musa de um Poeta encantador
Me deslumbrava ouvindo a sua poesia.
E me deslumbro
ainda hoje, quando as leio
Seus versos ternos, que traduz o verbo amar
E nos meus olhos brilham a luz da esperança
E rogo aos céus, para esta luz não se apagar.
As relvas
verdes continuam mais viçosas
E a cachoeira tem na espuma a brancura
O velho rio que embala os meus sonhos
Há uma corrente que dissolve a amargura.
Os
meus olhos lacrimejam a dor do pranto
Este meu pranto é do perder e do ganhar
Se por amor deixei de ser a tua musa
É uma tristeza e não saberei suportar.
Pois não
percebo esta mudança inesperada
Se ainda vejo-me em altas ondas a balouçar
E ao fim do dia a passear na branca areia
Sorrir alegre, te abraçar, e contigo Poetar.

Por: Pequenina