Cabelos brancos são lamentos do passar da mocidade
São meus sorrisos mais tristes, são o som da fantasia
Falando de amor ao sonho, entra em mim a saudade
Pensando em nossa bela idade, chora a minha poesia.

Engulo grande angustia, prazeres de mim esquecidos
Beleza das curvas, teu corpo lizinho, sem uma espinha
Amava teus baloiços, gemia amor com teus gemidos
Eras mulher dos meus sonhos, amo-te foste só minha.

Ouço som, frases esquecidas, ditas por nossa loucura
Sinto os medos dos olhos, do nosso namorar á cancela
Medo, as landras caídas, carvalheira, sombra, frescura
Mas pior de tudo, nossos beijinhos, o pai via, à janela.

Se lembra o amor, mesmo de cabelos brancos é beijar
Fazer as nossa piruetas, caindo, machucando as canetas
Se dói, por gelo para não inchar, voltar o amor abraçar
Chegar ao fundilho, pousar ali, mais leve que borboletas.

Sei querida que teu sorrir tem rugas fundas mas de amor
Que as pernas não tem o poder do balouçar de loucura
Mas para mim continuas sendo meu jardim, minha flor
Amor nossa lealdade duma vida, é tua maior formosura.

Cabelos brancos, anos passando um amontoar de carinhos
Perto de 72 anos, aberto sorriso, felicidade e muita alegria
Filhos, nosso grande amor, felicidade é falar com netinhos
Olhando a tela, leio de meus amigos, e vos escrevo poesia.

Por: Armando C. Sousa