Peguei nas teias de aranhão
Estavam enroladas em bugalhos
Deitei-as com sapos no caldeirão
Cebolas alecrim e cascas de alhos.

Desta caldeirada de bruxedo
Saiu-me uma linda gatinha preta
A todos fazia muito medo
Com meu jeito e a careta.

Pus o caldeirão a ferver
Lume da imaginação
Dava gritos de morrer
Que gelava o coração.

O rabo que eu apertava
À minha gatinha preta
O esqueleto até chora
Que fazia de careta.

O meu saco se enchia
Com medo de não me dar
E a gata preta gemia
Parecia gente a chorar.

Enchi bem o caldeirão
Agora com teu amor
Vamos comer chocolates
E no fim fazer amor.


Por: Armando C. Sousa
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