Ao oeste de Espanha fica meu país encostado ao mar
Nos verões se ouve pinhas a cantar e a salta pinhões
As amoras selvagens, gostosas pretas são de picar
Cheiros, cores e paladares imigram, trazem paixões.

Pinheiros mansos sombrosos quebram o ar do mar
Alem o céu é mais azul nas nossas praias lusitanas
Mulheres lindas; honestidade, amor na vida; casar
Formam arvore, família, braseiros místicos, ciganas.

Cheiros de eucaliptos, ciprestes, cor e flor de mimosa
Faz de minha pátria querida o sonhar de nosso viver
Seus igrejos montes e mar, linda minha pátria ditosa
Estou longe, mas seria em ti que queria ter o morrer.

Onde nasci, ao descer do monte, quase chegava à lua
Vi-a as serras branquinhas, espelho o mar, sol a bater
Banhava-me na pobreza, de pés nus, calcavam a rua
Por vezes as gretas criadas pelo frio sangue a escorrer.

As amoras silvestres que tantas vezes fome quebraram
Tornam minha infância lembrando crueldade da ditadura
Mas entra em mi os heróis que nome de ouro gravaram
Tornado em amor minhas saudades, do sentir amargura.

Cheiro da infância, do coaxar das rãs poças e reguinhos
Água que tornava nossos engenhos, moinhos de moer
Terra de meus avôs onde recebi de mãe tontos beijinhos
Dela ouvi as belas canções de carinhos para adormecer.

Por: Armando C. Sousa