Sonhando, sinto ofegante calor do amor

Meu corpo treme ao pensar

Que aquela mulher desde criança

Nunca um beijo de amor pode ou soube dar

Desde novinha ficou traumatizada

Ainda na probidade

Sentir-se arrastada à força

Mesmo debaixo de seu gritos aflitos

Por um vilão ser desflorada

Essa mocinha não queria, adorava cantar de alegria

Nem seu pai e mãe ouviam seus gritos, aflitos

Moça chorava sua sorte com lamento

Seus pais obrigando-a com seu vilão a casamento

Oh que dor, ter de suportar a seu lado o nojo

Em vez de seu amor

Era botão forçado a abrir, nunca abriu flor

Muitos anos passaram, sem nunca dar um beijo

Esta nunca conheceu o amor ou seu desejo

Deitava-se na cama como um penedo batido

Gritando, nem vilão, pais ou irmãos

Ouviam seus gritar de dor ou seu gemido

Um dia, aos vinte anos disse, chega de escravatura

Nunca te dei nem nunca te darei um beijo

Foge de minha vida sinto de ti nojo e pejo

Nela fervia a idéia de ser mulher

Ser mãe, sentir o ardor do beijo

Mas a trauma em si matava-lhe todo o desejo

Experimentou casar, mas não consegui suportar

E outro homem deixou sem nunca o beijar

Esta nunca conheceu o êxtase do amor

Desde que foi desflorada apenas conhece dor

Esse anjo tem o beijo reservado

Para alguém com que tem sonhado

Sua ternura apenas a conhecer

Um dia a sepultura
.

Por: Armando C. Sousa

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