![]() ![]() Ainda existe poesia dentro de meu pensamento Versos desse tempo, minha dor, meu tormento. Ainda existe Versos agarrados à miséria do tempo salazarista Eram lágrimas da guitarra e os choros do fadista. Ainda existe Tempo de meninice, alegria aventura e pobreza Pátria da Espanha ao mar, era a minha Portuguesa. Ainda existe Igreja e sino, a arca, bolas e botões areias e caminhos Por vezes deitar no colo da mãe, receber uns beijinhos. Ainda existe. Na minha mente, as rãs, as poças lavadouro e fonte As fitas dos eucaliptos os pinheiros mansos no monte. Ainda existe O azul clarinho do céu, os carvalhos com bugalhos O S. João e as moças, aquém batíamos com os alhos. Ainda existe Praias de areia branca, água fresca, melão e melancia Festas, romarias, danças de viras e cantigas de alegria. Ainda existe Os rios que viram minha nudez, quer de noite ou dia As charnecas e pardais ouvindo minha primeira poesia. Por: Armando C. Sousa
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