Não
pertenço a este mundo, apenas estou
de passagem
Com acções e intenções,
eu pago minha portagem.
Atrás
duma serra está outra, há
gente de bom coração
Depois de cada fronteira haverá
gente de outra nação.
Este mundo
não é meu, daqui nada vou
levar
Queria só um cantinho, onde eu
possa descansar.
Ouvir
todos os passarinhos quando estão
a cantar
Mas este mundo não é meu,
daqui nada vou levar.
Quem semeia
injustiças, tem guerras para colher
Tudo o que semeio colho, semeio morte
vou morrer.
Era nada
mas nasci, do nada cheguei p’ra
viver
Semeio saúde não nasce,
semeio guerras vou morrer.
Vim aqui
matar saudades, trouxe saudades comigo
Parto, para matar saudades, saudades,
é o meu castigo.
Pergunto
ao meu destino, porque é que sou
castigado
A resposta que me dá, terás
de cumprir teu fado.
Vivo entre
dois amores um de cá outro de lá
Uns que me fazem ir lá, outros
que fazem vir cá.
Lá
tinha amigos e irmãos, a minha
mãe já morreu
Aqui tenho filhos e netos, é como
viver num céu.
Tenho
amigos virtuais que enchem meu coração
Se me faltarem, dou ais, sinto por eles
adoração.
Tenho
amores no Brasil com cheiros de Portugal
São iguais as suas cores, mimosos
não há igual.
Fazem
minha felicidade, dão crédito
ao meu escrever
Transformam minha pobreza em alegria de
viver.

Por:
Armando C. Sousa
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