
Mãe
perdoa-me, por estar tão longe no teu eterno adormecer
Não
te pode dar o ultimo beijos, ultimo adeus; me ias deixar
Parti, para esta terra fria, sol da meia noite e mar coalhado
Aí a fome e escravatura fazia
filhos e esposa e a mim chorar.

Dei-te
o ultimo adeus sem o saber, pensava voltar, te beijar
Não tinha passaporte, foi-me roubado, tive de me naturalizar
Para com documentos estar legal, poder dar pão e trabalhar
Portugal negou-me a cidadania, e assim mãe não pude
voltar.

Lembras-te mãe quando ai pode voltar, fui ao cemitério
rezar
Ao lado de tua pedra e fotografia, aquela rosa do pó nascida
Então vi que não havia dó, eras nada, apenas
pó e meu pensar
Momentos quase sem fim, deixei lagrimas a linda rosa regar.

Mãe, tenho momentos que sinto tuas mãos, afagar de carinhos
Sinto-me igual, pois os mesmos tratos dou aos filhos e netinhos
Mãe. os meus olhos ainda vêem teus cabelos brancos grisalhos
A enxada, bacia de roupa em retalhos, dia e noite teus trabalhos.

Olha mãe, sei que me estás a ouvir, onde é apenas
pó tua beleza
Eu, meus filhos e netos, olham tua fotografia pedindo tua benção
Esperando um dia nos juntar a ti, fazendo parte da mãe natureza
Mãe enquanto aqui vivemos, trabalhar para que todos tenham
pão.

Mãe,
dia dedicado, ao amor abnegação de todas as mães
do mundo
Vós
mulheres mães, sois a razão de toda esta beleza, deste
viver
Mulheres
não posso fazer outra coisa idolatrar-vos cada segundo
24
horas por dia o vosso meigo carinho, até nosso eterno escurecer.

Mãe,
espera até ao dia que chegará de meu, ao teu pó
se juntar
Desse pó em microorganismos vamos dar ao futuro outro viver
Esperando que haja muito mais igualdade na humanidade, amar
Que haja alegria mais suave, sem fome, sem guerras, nosso morrer.
