Ao levantar, o jardineiro foi dar bom dia a seus amores

Dois anos de sonho; planta verdinha quase a florir

Chegou ao jardim foram grandes seus horrores

Essa planta estendida no chão, quem a arrancou a rir

Tresloucado o jardineiro procurou ainda lhe dar vida

Replantou-a no mesmo instante a planta, seu amor

Dia cresce, sol a subir, o jardineiro viu-a esmorecida

Entre as folhinhas podia ver botões quase a abrir em flor

Jardineiro a regou, ao deus das flores implorou com dor

Para deixar essa planta reviver

Não queria que a planta sofresse, nem ver seu amor sofrer

Recriminou a sua amada pela insensatez

Agora o jardineiro sentia o sofrer a dobrar

Por ter sido sua amada, essa planta a arrancar

Sem hipocrisia a teve de recriminar de insensata

De ignorante de flores, sabendo que eram seus amores

O feriu ao arrancar essa planta, esperava a ver florir

Mas a bela emudeceu para o jardineiro castigar

O amante das flores sofreu, sem ver na esposa um sorrir

Uma palavra, um gesto, um abraçar

Creio que ela o queria ferir

Mas em si própria estava punhaladas a dar

O jardineiro lhe foi falar esquecendo a dor

À noite quando se foram deitar

Abraçaram-se os dois fazendo amor

Foram ao jardim á planta regar

Parece que a planta vai viver e dar flor.


Por: Armando C. Sousa

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