Lembrança, saudades, tenho
da minha aldeia
Da minha infância, o tempo de arca e do pião
O jogar ao eixo, bola e malha depois da ceia
Esse tempo, tudo está gravado no meu coração
Dos
afagos que minha mãe dava docemente
Em lições de regras, de ter, de dar, e do
amar
As heranças que ainda guardo como presente
As historias que adormecia, ela ainda a contar
Assim
sonhava sem me arrepiar com medo
Ouvia nas escadas, amigos da minha aldeia
Para nós só franqueza não existia
segredo
Ficava-mos falando em noites de lua cheia
Saudoso
recordo, o chão que em menino pisei
Muitos anos depois por lá passei mas não
o vi
Portanto foi aquele torrão que eu mais amei
Para a eternidade virgindade desse chão perdi
Ultima
vez que lá passei o meu ser chorou
Estradas, moradias, no chão foram erguidas
Torrão com irmãos e amigos tanto se brincou
Perdi o chão, nunca mais serraram as feridas
Amei
minha Pátria mas nunca quem governou
Fui obrigado, para meus filhos, nova Pátria criar
Por ter nascido em Portugal, Português eu sou
Agora minha pátria é para onde tive de imigrar
Tenho
filhos que vivem de Pátria emprestada
Mas foi muito melhor que choras sem pão
Amei a Pátria, amo muito mais família sagrada
Tão longe, descrevo minha sina e filhos razão.

Por:
Armando C. Sousa
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