Mar era grande, não via sem fim
Olhava o turbilhão das águas tinha medo
Foi na primeira vez que ouvi seu roncar
Para mim ainda mistério seu segredo.


A terra o parava fazia-o descer amaciar
Por vezes parecia bailar em leve ondulação
Marés, enraivecia-se tenebroso, cruel ladrar
Mostrando-nos boca aberta e dentes de cão.


Água esverdeada, e escura no mais fundo
Eu estarrecido jurava isto não podia ser
Mar bater, roncar, ao outro lado do mundo
Nas areias e falésias desse mundo morrer.


Surpreendido, primeiro mar, em Varzim vi
Sobre a sereia e o mar eu ouvia tanta lenda
Sem medo junto a ele com o sol adormeci
Acordei ouvi roncar, tempestade horrenda.


Quando eu parti da Europa para o Canadá
Sobrevoei tantas horas sobre o céu e mar
Cismava na possibilidade de não chegar lá
Foi grande alivio sentir o avião a aterrar.


Então pensei em ti mar com alma e amor
Revi quanto sacrifício fizeram a navegar
Corajosos, foi grande a alma do navegador
Para outras terras descobrir e cristianizar.

Por: Armando C. Sousa

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