Falaste-me em estar debruçada
na janela olhando as estrelas
Eu aqui a meio da tarde
não sonhava em velas
Sim via o sol a brilhar,
céu azul salpicado de branco
Mesclado de pontos negros
de fumo, tirando o encanto
Ouvia os passarinhos chilrando,
na amoreira do vizinho
Outros levando bicadas
para os filhos com carinho
Na estrada cinco rolinhas
colhendo areia
A esposa saiu de minha
beira, foi preparar a ceia
Fiquei pensando no teu
céu cintilante, estrelado
Eu e tu, contando estrelas
lado a lado
Falavas da tristeza daquela
que brilhava sozinha
E da outra muito longe
pequena luzinha
Depois falavas de ver
chegar o luar... os dois a beijar
Debaixo daquela luz branda
que se escondia, e prateada
Assim como as estrelas
piscando, passava-mos a noite abraçada
Falavas-me daquele tempo
de juventude fugaz
Mas eu ainda hoje não
te deixo sossegada ou em paz
Ainda me alimento do mel
de teus biquinhos
Dos teus braços
e beijos, de teus mil carinhos
Podes-me falar das estrelas
que vês, debruçada na janela
Da estrada de São
Tiago ou da lua cheia e bela
Mas não há
coisa mais rica que nosso abraçar e beijar
A sinceridade do nosso
amar
A nossa vida de progresso
vivida está findando
Creio que é disso,
que me queres falar, chorando.
Por: Armando C. Sousa
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