Sentado
no banco do Pátio, olhava o luar
Luz meiga, mas o rosto da lua parecia chorar
Creio que adivinhava o que eu estava a pensar
Nos ente queridos que deixei p’ra alem do mar
Minha Mãe, meus irmãos que deixei Alem
Vizinhos, minha terra, meus amigos também
Água fresca da fonte, o badalar do sino alem
Estou distante, sinto-me triste, saudades também
Foi para ter pão para filhos que imigrei um dia
Para os poder criar, dando-lhe escola e alegria
Hoje sinto-me feliz, velos crescer de mente sadia
Que consegui aqui, se fosse alem, mais feliz seria
Ó lua... não chores sim?... sorrir faz-me esse favor
Diz aos familiares que sentimos e lhe temos amor
Bate a janela e faz para eles brilhar teu doce luar
Diz-me o que eles estão pensado amanhã ao voltar
Limpa o céu, para que possas para eles brilhar
Entra de mansinho, vai por mim a todos beijar
Mostra-lhe tudo isto em sonho, não ha engano
E amor puro o Português; nosso sangue lusitano
Se tu um dia poderes lua; traz-lhos aqui contigo
Para que nos venham dar um abraço amigo
Diz-lhe também, que o nossos, é o mesmo luar
Levas estas letras dizendo; viveis no seu pensar
O telefone “ringou”... será alguém de
alem mar?
Levantei-me; com a mão digo adeus ao luar
Corro para dentro com grande ansiedade
Mas não eram de alem era alguém da cidade.

Por:
Armando C. Sousa
Publicado a 25/7/1997
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