
Na
brancura da neve não há borboleta que pouse
Não há botão rosa ou flor, não há
calor de amor
Tudo brancura e frio, não aves; riso que arrouse
Não há tristeza, em casa calor, e corpo sem dor.
Olho a brancura
da neve, sei que preciso escrever
Passeio meu pensamento pelas chuvas, só solidão
Engulo as lágrimas secas, com pena de te não ter
Aqui tenho brancura de jasmim em ti meu coração.
Na cabeça
a alegria da primavera, gosto de verão
As páginas dos livros que devorava no arvoredo
Lembrança; fica a sombra da laranjeira do casarão
Nossos sonhos de grande amor, nossos segredos.
Imagino-me deitado
no cantinho das gaivotas
Vendo sair do mar minha deusa, amor da aventura
A musica saída de tua boca eu pautando as notas
Aqui apenas vejo a neve, frio, desejo, brancura.
Oh, quem me dera
estar deitado onde canta o sabiá
Debaixo da palmeira junto a ti; ao verde de teu mar
É tudo amor, beijos e abraços, o pensamento me dá
Afinal fico na brancura, engulo as lagrimas de chorar.
Fica amor, abraça
o teu verão, o gosto de seus frutos
Eu aqui fico pensando; vendo a neve partir vem calor
Entre tanto andarei com a neve ás voltas; aos chutos
Sabendo que só em pensamento, beijarei o meu amor.
Por: Armando C. Sousa