Moldei minhas lembranças
Nas pedras que eu calquei
Nelas deixei esperanças
Que nunca mais alcancei



Foi por quelhas e caminhos
Que chorei os meus lamentos
Cedo perdi todos os carinhos
Que eu dou a meus rebentos



Deixei no sino da aldeia
À noite batia as trindades
Brincadeiras depois da ceia
De que hoje sinto saudades



Nos canos duma figueira
Moldei minha meninice
Sozinho na brincadeira
No alto pr’a que me visse



Ali moldei o que sou
Querendo ser muito mais
Minha sorte a vida destinou
Não há duas almas iguais



Parti em busca de pão
Para manter mulher e filhas
Trouxe-os no meu coração
Moldei com elas maravilhas



Hoje moldo meus poemas
Que o pensamento me der
Os amores servem de temas
Amores de jardins e de mulher
.



P
or: Armando C. Sousa



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