Há aí uma pinga d’água
Pedia no douro um barqueiro
Língua arfava de sede
Do douro, esta envenena o cheiro.

Dai-me, uma pinga d’água
Desinfetada, filtrada, e fresquinha
Lágrimas minhas, são salgadas
De ter estragado água que tinha

Ha aí uma pinguinha d’água
Que possais dar ao barqueiro
Sem água eu morrerei
Esta do douro, é um lameiro.

Na água morrer à sede, não é preguiça
É resultado da ganância desenfreada
Será melhor morrer à sede aqui
Que beber este lameiro, estragada.

São cães, vacas, porcos, que na água vem
Corpos humanos carros e caminhões
Máquinas de comboio e fezes de gente tem
Quem assim faz é louco ou são ladrões.


Por: Armando C. Sousa

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