Na janela batia a chuva das minhas penas

Eu ouvia o perfume da ilusão a entrar

No silêncio que profana meu pensar

Vinham moças, pele queimada, morenas

No vazio de meu peito ardem chamas

Apagando as imagens de meus sonhos

Eu perco o canto de quanto me amas

No aperto de teus beijos, som de teu abraçar

Sinto o sabor da corrente que passa

Procuro conte-la com um fio de amor

Paro meu coração por segundos

Deixo a palavra calar-se com dor

Do calor rego meus sonhos tão fundos

Vejo-te crescer em mim, flor

Meus desejo, deixar-vos a todos viver

Vendo a chuva mansinha na janela a bater

Eu de coração cruzado

Desejo eternamente com esta visão

Para sempre adormecer.


Por: Armando C. Sousa

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