O céu do imigrante é muito igual à saudade
Vê-se a estrela do norte, não do lado da serra
A lua vem de outro lado dar claridade
Ficamos pensando de que lado é nossa terra
Sempre que olhamos o céu ao bater da trindade.

Céu do imigrante é igual!

Erguemos os olhos fixamos a estrela da guia
Onde estou, parece-me mais perto do céu
Para matar saudades, com ele rimo poesia
Procuro noticias para saber o que aconteceu
Abraços da esposa e filhos dão mais alegria.

Sim; o céu do imigrante é igual!

Outro País outra bandeira, trás mais igualdade
Estrelas no infinito, são as mesmas, são minhas
Posso agarrá-las, aqui tenho mais liberdade
Amaria de as ver do meu lugar aquelas luzinhas
Não mais a brandura do luar a bater na saudade.

Céu do imigrante e igual!

Imigrante, deixei escondidas minhas brincadeiras
No largo, nas quelhas, nas moças e torre do sino
Outro continente, outras gentes novas bandeiras
Mas aqui vejo o céu igual como via em menino
Mas falta-me cheiro de eucalipto e de laranjeiras.

O céu do imigrante é igual!

Falta-me o correr da água límpida cantando em reguinhos
Não sinto o sol laranja ao cair da tarde chegando ao mar
Aqui, falta-me a convivência dos amigos, e seus carinhos
Não tenho os companheiros de criança para jogar
O imigrante é alma que olha o céu igual, mas sozinhos.




Por: Armando C. Sousa

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