Fui ao parque do Madeira
Depois de uma boa espetada
É diferente a tradição...
A minha é sardinha assada.
Camaradagem era
boa
Era gente de carinho
Cantar e dançar malhôa
Depois dum copo de vinho.
Festejavam o
S. Pedro...
Seu dia de autonomia...
O do Canadá, adaptada pátria
Era um parque de alegria...
Cheguei a casa
já tarde
Meu coração me dizia
Voa com teu espírito
Dá à pena poesia!
Deixei o corpo
na cama
E lá fui eu a voar
A esposa Rosa; era Ana
Atravessamos o mar.
Estávamos
já entre vós
Com sardinhas e caldo verde
Não havia lugar para nós
Sentamo-nos numa parede.
Parti para vosso
lugar...
Entre nós não há guarida
Com a malga de caldo verde
Estávamos nós na partida.
O telefone rinchou
Eu acordei estremunhado
As sardinhas não as via
O caldo verde entornado.
Então
fui a meu quintal
Cortar couves bem tenrinhas
Fui à arca tirei dois sacos
De apetitosas sardinhas.
Um amigo telefonou
Que esteve na espetada
Convidei-o p’ro caldo verde
Chouriço e sardinha assada.
O espírito
ficou contente
Não precisa de sonhar
Pode dormir descansado
Sem alguém nos empurrar.
