As moças nuas correndo
Sem ninguém que as defenda
Do que surgia do mar
Com o tilintar das espadas
Tantas cabeças cortadas.

Tanto sangue que corria
Velhos e crianças jazia
Junto ao mar, moribundos
As palmeiras os cobria
Dos conquistadores vagabundos.

Ouviam-se moças a gritar
O sangue na areia a jorrar
De virgens ainda crianças
Queriam guardar castidade
Até que chegasse a idade
Do corpo, conhecer mudanças.

Mas ali foram forçadas
Por cristãos, desonradas
Mesmo debaixo da cruz
Creio ser uma folia
Ao que aos Índios se fazia
Usando o nome de Jesus.

Foi debaixo de palmeiras
Ou então de bananeiras
Ouve tanta atrocidade
Os homens eram cristãos
Dizendo não são irmãos
Saciai-vos há vontade.

Levai-as para nossa terra
Nos porões desta galera
Trabalharam p’ra nossa gente
Fazei ouvir as chicotadas
Com as pernas algemadas
Por uma forte corrente.

Traziam moças escravas
Nuas e bem algemadas
Que vendiam no mercado
Minha gente foi assim
Hoje eu leio essa desgraça
Que não queria para mim.

Não, não valeu a pena
Escravizar gente morena
Cometer tanta atrocidade
Não foi descobrir o mundo
Foste homem vagabundo
Destruís-te á castidade.

Sou filho da mesma raça
Quem cometeu tanta desgraça
Em nome de meus antepassados
Peço perdão aos lesados
Nesta minha poesia
Por favor, dai-me essa alegria!


Autor: Armando C. Sousa

Clique na imagem
e envie esta página!