Sentado na varanda

À tardinha quando me sento na varanda e minha esposa se vem juntar a namorar, talvez a nossa atitude possa os passarinhos espantar, quando em gestos de amor nos vêem beijar.

Mas os pássaros ficam a saltitar de ramo em ramo a dar bicadinhas, com suas asas dão carinho, que nos acordam a nostalgia da idade, para em pensamento à mocidade voltar.

O horizonte o imagino da varanda; e sei onde o sol desce, fica o mar... o mar que meu pensamento nele permanece , mas queria em corpo e alma lá voltar, passando dias de calma, pedindo à minha musa poética para a mim voltar, e passar dias de calma poetando a ver o mar.

Sinto que o mar faz parte de meus sonhos, está no meu pensar, mas é grande a sua ausência; sinto saudades de seus penedos, das suas falésias, das águas por vezes verde e violenta, por vezes sereninhas a espelhar, as areias amarelinhas e a espuma das ondas brancas como algodão nas areias a se deitar.

As águas e ondas trazem por vezes segredos aos meus ouvidos... gritos das ondas a ciflar…O sol e a água escurecem a minha tez; quando vem em redemoinho empurram as saudades de ver chegar os pescadores puxando as redes com peixes arrancados ao coração do mar.

Olho o horizonte por vezes negro, onde desce o sol poente e me parece ouvir seu rugido, seu murmurar. Entro então no interior de meu mar, e vejo navios atracados como monstros na água a balouçar, meu pensamento mergulha no abismo para mim desconhecido, trazendo há tona montanhas de saudades.

Á muitos anos que meu mar é interior, apenas nele navega o amor, mas em pensamento vejo-o mansinho ou de goelas amarelecidas como boca de monstros que engoliu tantos navios, dos nossos antepassados caravelas; nas suas entranhas tem degustado tantas vidas.

Sei que o mar está com o ser humano muito zangado, porque a riqueza deposita no seu seio, o mar que faz crescer tanta alimentação, e esses mandões ás escondidas depositam nele tanta podridão. O mar zanga-se, e por vezes quer galopar a terra, mais feroz que um leão.

Depois dizem que é o El-ninho.

Eu digo que é a maneira do mar nos dizer que o egoísmo, poder e riqueza o trata sem carinho. Tudo porquê?…Porque essa gente não quer nada com a igualdade. O nada não tem luz para iluminar um pensamento; o nada não inspira, não aflige nem acalma, mas torna o vazio cada vez maior que cada um traz em si mesmo.

Não. A fé não move montanhas, mas o trabalho dentro da verdade pode-o fazer. Não: O mar não pode ser mudado, então porque o entulham para que ele saia do sem limite. Resta-nos paciência, criando uma doutrina onde não envolva Deuses, mas nos dar uma noção da dúvida do que tem sido feito, para não desperdiçar uma oportunidade que beneficia a humanidade com igualdade.

Meus amigos, de nada nos adianta amarrar um coração vazio e um pensamento oco; desconfia do destino em ti, e passa mais horas a planear mais igualdade para a vida. Aquele que quase morre, está vivo, mas quem quase vive, já morreu. A incerteza do poderia ser, dum talvez, é uma aproximação do quase, de tudo que poderia ter sido, mas não foi.

Deixamos passar oportunidades que nos escorrega palas frestas dos dedos, mas outras perdemo-las, porque nossas idéias, ficarão tolhidas de medo, pelo poderio; e nunca chegaram a sair do pensamento ou do papel porque as crenças doentias interferem. Desta maneira sobra-nos covardia, e até medo criamos de ser felizes.

Quantas vezes a felicidade fica estampada na distância da pessoa, na frieza dum sorriso, na fraqueza do apertar de mão, ou nos olhos no chão para negar um bom dia. A paixão queima, mas dá vida, o amor enlouquece, mas é doce, o desejo atrai, mas satisfaz e não sentes o nada. Uma coisa que gostaria de fazer era casar a alegria com a verdade, e a deixar como herança à poesia; mas uma coisa que não queria, era sentir o nada, ou ser covarde perante a verdade, ou inventar Deuses e diabos para criar medos e castigos, ou seguir os interesses egoístas que com tudo isto foram criados.

Eu, distante crio o meu mar de saudades, enquanto outros querem criar revoluções de fora para dentro, esquecendo-se que o nosso mal passa por uma adaptação, um abandono do que foi, mas não é mais, nós devemos adaptar um pensamento de benevolência, e criar em nós essência de ensinar uma geração sem meios de aprender a igualdade; que deixamos para traz, deixando a saudade conosco como coisa que se não pode legar nem vender.

Por: Armando C. Sousa

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