Água misturada com sal do suor
Num horizonte longe e profundo
E lagrimas salgadas derramadas
Ao procurar os confins do mundo.

Semente que me fez nascer; crescer
Num País desolado; sem esperança
Tantos rostos que deixei de ver
Depois de minha partida para a França.

Sem dúvida saudoso da mulher
Dos filhos pedaços de nós os dois
Arranjei o ninho para eles no Cher
Levando para lá esposa e filhos depois.

Ignorei a alegria para poder partir
Deixando a tristeza crua, lá ficar
Queria ver minha família sorrir
Levei-os todos para não mais voltar.

O poema que tomba no amor
São olhos que olham no olhar
São gotas ao abrir uma flor
São meiguices, beijos ou rolar.

Vida que perco para onde vai?...
Poderás tu correr para a apanhar
Vida que se perde da terra sai
Mas perdida só na terra vai parar.

Engolia os olhares que me deitavam
Sem mastigar descia-os ao abismo
Nas sombras muito tempo repousavam
Seres vivos saiam dela, é no que cismo.

Hoje outros seres nascem da semente
Semente que germinou em Portugal
Germina em toda terra igualmente

Com semelhanças, mas nunca igual.

Por: Armando C. Sousa

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