Pares de andorinhas em ovo picado
Cruzam o ar voando daqui para alem
Desde menino que fico espantando
Ao ver seu ninho que no beiral tem.

Assim me lembra da casa onde nasci
Do dia que como andorinhas emigrei
De tantos que amava nunca mais vi
A terra os engoliu, não mais lhe falei.

Penso em minha mãe, de alem me sorri
De seu colo de seus braços e seus seios
Mas minha mãe nunca mais a beijei ou vi
Ninguém por ela, satisfaz meus anseios.

À terra que engoliu seus restos mortais
Me ajoelhei um dia ali pedindo perdão
Lembrei-me das andorinhas dos beirais
E do aperto que confrangia meu coração.

De joelhos orando, na mão o pó do amor
O pensamento e minha mãe em combustão
As lagrimas caiam iam regando uma flor
Saudades arrasavam com dor meu coração.

Andorinha que serás o símbolo do imigrante
Vais e voltas a teus ninhos a cada primavera
Nós vamos matar saudades por um instante
Voltamos aos ninhos, deixando nossa terra.

Ali moram eternamente pais irmãos e amigos
Tornam nossa vida em ardente grande saudade
Mas deles nunca mais ouvimos seus gemidos
Por maior a que seja grandeza de nossa amizade.

Por: Armando C. Sousa

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