O rouxinol encantado


O rouxinol toda a noite canta quando namora
São tão lindas melodias, pára madrugada fora.

Na parreira do loureiro ou até no silveiral
Procura o cheiro da rosa no pico do roseiral.

Vê abrir a janela, mulher mais bela do lugar
Rouxinol olha para ela e não para de cantar.

Debruçada no parapeito, ouve o belo rouxinol
A bela pelo cantar se extasia, deixa cair o lençol.

Rouxinol apaixonado ao ver tão grande beleza
Vôou para o peito dela onde esta pôs a mesa.

Em cima de cada bico ela ali pôs um greirinho
Rouxinol ali picou dando nos bicos um beijinho.

Vôou para meu roseiral perto da minha janela
A sonhar ou acordado, via essa mulher tão bela.

Quis ser o rouxinol, podesse cortar uma rosa
Depor-lha nos peitos daquela mulher formosa.

A noite quando chegava, o cantar do rouxinol
No parapeito da janela via a dama do lençol.

Ficava apaixonado perante beleza de tal visão
À noite eu acordado, grande era minha paixão.

Uma noite não ouvi, o canto da lida melodia
Nem aquela bela mulher de quem o lençol caía.

Minha tristeza era grande até o nascer do sol
A paixão de meus ouvidos do cantar do rouxinol.

Um dia vi-a passar essa mulher tão formosa
Logo fui ao roseiral cortar a mais bela rosa.

Vi no chão o passarinho que não ouvia cantar
Dei-o morto à beleza, gritava no seu chorar.

Foi um pico da roseira se espetou no seu cantar
E a bela a cada noite vinha à janela chorar.

Havia noites que ficava até ao nascer do sol
Nunca mais ouvi cantar na parreira o rouxinol!

Por: Armando C. Sousa

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