O escrever


A passar o tempo a escrever
Já tenho levado no lombo
Tenho sido bem tratado
Por gente que é um assombro.

Tinta à caneta não falha
Ela produz sempre luz
Corta como navalha
Quem vestir o carapus.

Amanhã serei escuridão
Mas hoje eu sou amor
Serei rosa ou botão
Com verdade serei dor.

Nos anos de minha infância
Fui pobreza e contradições
A juventude foi triste
Mocidade sem paixões.

Jovem na maturidade
Fui um pai aventureiro
Não queria necessidade
Corria atrás do dinheiro.

Fui louvado e humilhado
Fui pedinte no saber
Continuo o aprendizado
E morrerei sem saber.

Já jantei com presidentes
E com ministros também
Morei em casas bem pobres
As piores que o mundo tem.

Já bebi do melhor vinho
E comi uns bons pitéus
Senti a fome e senti frio
E dormi a abertos céus.

Não compreendo porque o êxito
Traz a dor abre a ferida
Da fome ou de fartura
Da nossa vida vivida.

Por: Armando C. Sousa

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