A passar o tempo a escrever
Já tenho levado no lombo
Tenho sido bem tratado
Por gente que é um assombro.
Tinta
à caneta não falha
Ela produz sempre luz
Corta como navalha
Quem vestir o carapus.
Amanhã
serei escuridão
Mas hoje eu sou amor
Serei rosa ou botão
Com verdade serei dor.
Nos
anos de minha infância
Fui pobreza e contradições
A juventude foi triste
Mocidade sem paixões.
Jovem
na maturidade
Fui um pai aventureiro
Não queria necessidade
Corria atrás do dinheiro.
Fui
louvado e humilhado
Fui pedinte no saber
Continuo o aprendizado
E morrerei sem saber.
Já
jantei com presidentes
E com ministros também
Morei em casas bem pobres
As piores que o mundo tem.
Já
bebi do melhor vinho
E comi uns bons pitéus
Senti a fome e senti frio
E dormi a abertos céus.
Não
compreendo porque o êxito
Traz a dor abre a ferida
Da fome ou de fartura
Da nossa vida vivida.