
Minha poesia vai-se amontoando com o tempo
Dia a dia vou arrastando e escrevendo meus sonhos
Depouso-os numa clareira os grandes lamentos
Vejo chegar a dor em redemoinhos medonhos.
Há dias que os sonhos flutuam
Amontoando-se em camadas de algodão
Escrevo poesias que na mente perduram
Que me arrasam e atormentam o coração.
Quantas vezes sou o tempo, o cantar de alegria
Outras vezes sou veneno, a espada de tortura
Sou amor enrrendilhado em meiga poesia
Sou paixão sou saudade, sou acalento da amargura.
Tantas vezes vejo letras a fugir do tema de amor
Outras letras que não querem construir jardim
Outras não formam tom que nomeie uma flor
Formam guerra de espírito que me torturam assim
A minha poesia
Quantas vezes as estrelas do céu já não deixa
brilhar
O luar sem encanto é uma luz morta que caminha
A idade é grande, mas tenho tanto amor para dar
Ou será o fim do nada que se avizinha
A estrada rude e pedrosa já não me deixa caminhar
Na poesia que dia a dia faz parte de mim
Sinto-me triste por não poder perpetuar
O cheiro da vida, da rosa, ou da flor do jasmim
Meu sorriso por vezes ainda é de alegria
Quando vejo o teu de meiguice e ternura
Quando dizes parabéns a minha poesia
Nosso abraçar e beijar é ainda de candura.