Cava
a encosta; manhã de sol ardente
Encosta seca e nua; não havia uma fonte
Terra e rocha movida; atirava a semente
Procurando a sombra; nada no horizonte.
Uma
gota de água! Os olhos riram ao vela
Diamante parecia, ou o brilhar duma estrela
Naquela folha água! gota tão pequenina
Para mim um tesouro com a sede que tinha.
Brilhantes
sem par, belíssimas safiras
Por nada no mundo esta gota me tiras
Dou tudo por ela, tenho sede de morte
E tu tantas estragas, á chuva do norte.
Umedecendo
a terra com gotas do meu suor
Pérolas na concha imensa morada do criador
Até o mar se condensa ao ver a lua chorar
Por tanta água estragada, vai do rio
pro mar.
Dou
tudo que tenho, dá-me amor água
pura
Se a água está podre cava minha
sepultura
Dou-te pérolas e rubens por um sopro
de ar
Ou tudo que vez sobre a terra e no mar.
Ó
mãe natureza criadora fértil e
amiga
Dás-me a escolher, só te peço
a vida
Uma gota de água pura deixa-me respirar
Pelo tempo que Deus me deixar ficar.
Gota
bendita e brilhante me vens saciar
Água doce, molhada, refrescante, vida,
amar
Verdes folhinhas natureza sempre abanar
De Deus ventoinhas para frescura nos dar.