
Ninfas
Sonhando
com o rio Douro e seus barcos rebelos
Sem nunca ter visto ninfas nem de ouro seu cabelo
Mas se uma pipa vazia sempre que a Gaia chegava
Diziam que eram ninfas que de noite a despejava.
Nunca
vi ninfas no rio seu louro cabelo penteando
Mas já vi mulheres bonitas, o seu negro arranjando
As faldas tão delicadas ao vento a esvoaçar
Outras tão belas que ninfas seu corpo nu a lavar.
Deslizando
de mansinho, bois, o rebelo a puxar
Em meu sonho ouvi correndo, fadas e ninfas a brincar
Esfreguei logo meus olhos ao ver tal formosura
Uns bustos parecendo prata, a luzir na noite escura.
Viajava
no rebelo, ao velas, à água do douro saltei
Mesmo em poucos instantes, fadas e ninfas me rodeei
Ho...que grande sensação, na água sem me molhar
Grande foi a desilusão, ao acordar de meu sonhar.
Sentei-me
na cama meditando, o que se estava a passar
Queria que fosse verdade a ninfa me estar abraçar
Se fosse ela a minha esposa, com ela estivesse a casar
Mas afinal foi um sonho, quem me fez nisto sonhar?...
Deitei-me
aqui em Toronto; sem querer descia o Douro
Já transportava em rebelos de Portugal seu tesouro
Via ninfas nuas a nadar, queria nadar com elas
Esposa que compreendem o sonhar, são boas e belas.
Minha
esposa me deu de todos o maior tesouro
Filhos; que me estimam, mais que as ninfas do douro
E então os meus netinhos!...não há tesouro igual
Valem mais que tudo e todos, que eu deixei em Portugal.
Por:
Armando C. Sousa
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