Terra ressequida chora, olhando a beleza da rosa
Aqui em mim, vais cair aos bocados, talvez voar
A mais bela, amor dos amores, a mais cheirosa
A natureza e os homens se esquecem de te regar
Rosa, um ser doce, os espinhos espírito do amor
Hoje serei túmulo, em mim te vais desfazer caída
Teu esqueleto se desfará; foste a mais bela, linda cor
Poeta escrevo; serei igual a ti, na vida de partida
Sombra... amava-te, abracei, guardei-te do calor
Adorava tuas lágrimas de cristal, da madrugada
Olhos admiravam com amor; tua beleza, tua cor
Hoje espalhada em tua tomba sem cheiro; és nada
As abelhas beijavam-te, de ti vinha mel docinho
Jardineiro sofria, doente, sem poder de ti cuidar
Anos o impediam, de te dar seu amor seu carinho
Desmaiavas ao calor, perdes a beleza e teu cheirar
Belo azul do céu acinzentou com tua dor sofrer
Mãe natureza te abandonou no teu canto tua sorte
Bela eras, rosa, cheiro; olhos e amor davas prazer
Fui poeta, teu jardim e jardineiro, choro tua morte
Cavarei o túmulo da rosa, ali semearei amores
Plantarei outra ainda mais formosa com espinhos
Rosa, te darei o tom do arco-íris de tantas cores
Ressuscitarás de teu túmulo, receberás carinhos
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Por: Armando C. Sousa