Não sou actor, mas passeio no palco da vida
Já tive medo de representar, e viver minha parte
Houveram momentos terríveis, a verdade perdida
A força do amor é abundante; amo poesia e arte.

Tive medo; haveria verdade na mentira impingida?
O ritual da cerimónia... mas na verdade era amor
O respeito não decaía; regava a roseira, nascia vida
O lar era um canteiro; roseira, o jardineiro e flor.

Botões lindos pediam pão, e livros para aprender
Mais que a língua que a roseira não sabia ensinar
Palco da vida; difícil representar e cumprir o dever.

Todos pediam amor; muito mais que lhe podia dar
Mas que regalo, ver botões a inchar, florir e crescer
Abrir-lhes a mão; velos voar, partir e regressar ao lar.


Por: Armando C. Sousa